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Novos incentivos fiscais imobiliário – as medidas que estão a ser propostas

O governo quer introduzir um conjunto de medidas no sector habitação em Portugal, sendo que o partido socialista apresentou até um novo projecto de lei para criar uma nova política de habitação no país. Esta matéria será com certeza alvo de muito escrutínio e discussão nos próximos tempos, até porque parece ir em sentidos opostos, do ponto de vista de orientação política. Contudo, é já possível fazer uma breve análise destas medidas, uma vez que elas terão, na minha opinião, algum impacto no sector da habitação em Portugal.

Eu olho para estas medidas essencialmente do ponto de vista dos benefícios fiscais inerentes às mesmas. Este artigo tem também o objectivo de esclarecer os leitores da ArrowPlus que têm enviado mensagens sobre esta temática, e investidores imobiliários em geral.

Estas medidas têm como base, de acordo com o documento, procurar dar resposta aqueles que não têm acesso a uma habitação por via normal do mercado, bem como potenciar a reabilitação de imobiliário em Portugal. Convém lembrar que estas medidas já haviam sido apresentadas há algum tempo atrás numa resolução do conselho de ministros.

Estas medidas têm naturalmente um sentido político muito acentuado para a esquerda, e nem poderíamos esperar outra coisa. A protecção daqueles que são desfavorecidos e a inclusão social daqueles que têm por vezes dificuldade em se integrar na sociedade são dois vectores muito claros destas medidas. Já a reabilitação imobiliária é uma medida que vem acompanhando a onda (que boa que ela é) da reabilitação do imobiliário em Portugal, em especial nos centros das cidades.

Dado o volume de perguntas que tenho recebido sobre este tópico, escrevo este artigo para tentar tirar algumas dúvidas e dar a minha opinião sobre estas medidas, que considero já meritórias, com sentido e com direcção. Não é a minha intenção fazer um julgamento político das mesmas, mas sim abstrair-me e considerar as medidas apenas do ponto de vista disso mesmo... medidas para o sector da habitação.

Das várias medidas propostas (e diferenciadas por sectores), surgem algumas de particular relevância para o contexto do investimento imobiliário.

Um sector de medidas prevê apoios financeiros a entidades distritais por forma a que estas consigam oferecer habitação acessíveis a famílias mais carenciadas. Além desta medida ser altamente meritória (embora de resto seja apenas um dever do estado), ela irá contribuir, na minha opinião, para uma economia e sociedade melhores. Mas esta medida poderá afectar o mercado imobiliário, ao introduzir várias habitações "sociais", ou seja, de baixo valor, para famílias. Esta medida irá acima de tudo afectar os investidores que operam nas classes mais baixas do imobiliário, ou seja, os imóveis que têm rendas mais baixas. Na prática, terá uma concorrência das entidades que ofereçam habitações com rendas muito acessíveis. Nada preocupante, na minha opinião, primeiro porque esta é uma medida de cariz social e em segundo lugar poderá sempre fazer um "upgrade" das suas fracções neste sector, por forma a entrarem na faixa média do mercado.

Incentivos e benefícios fiscais para o arrendamento

Das outras medidas destaco as 3 seguintes, que me parecem as mais importantes para o contexto do investimento imobiliário:

  • Programa de arrendamento acessível onde existe isenção de tributação em sede de IRS, além de isenção de 50% do IMI - Este programa visa com que existam arrendamentos de custo acessível, o que é essencialmente comprovado com um contrato de duração mínima de 3 anos. Ou seja, aplica-se a contratos de arrendamendo tanto de públicos como de privados, em que a renda seja até 20% abaixo do "valor de mercado". Ao mesmo tempo, os contratos têm uma duração mínima de 3 anos, e só podem representar uma taxa de esforço de até 35% para o inquilino/família. Pergunta-se o leitor qual é o valor de mercado aplicável. Ora este valor é apresentado pelo INE, como veremos abaixo. 
  • Proteção a idosos e deficientes, que confere o direito à renovação do contrato - Esta aplica-se a todos os contratos celebrados com idosos com mais de 65 anos e, simultaneamente, com pessoas com mais 60% de grau de incapacidade. Enquanto a idade do inquilino deve ser observada com facilidade, porque normalmente os cartões de cidadão são anexados aos contratos de arrendamento. No entanto, o grau de incapacidade do inquilino normalmente não é reportado - já algum inquilino lho disse? E este facto é muito muito importante. Imagine que assina um contrato que não prevê actualizações de renda. Caso o inquilino renove sucessivamente o contrato poderá ficar com uma "batata quente" na mão...
  • Programa de estabilidade no arrendamento, que confere uma redução na taxa liberatória - Neste programa, se públicos e privados celebrarem um contrato de arrendamento com inquilinos a 10 anos, existe uma redução na taxa liberatória na tributação na categoria F, de 28% para 14%, sendo que caso o contrato celebrado seja a 20 anos, então existe uma redução na tributação na categoria F, de 28% para 10%; Isto irá fazer com que existam senhorios interessados em celebrar contratos de longa duração, porém isso pode não ser necessariamente a pretenção dos inquilinos...

Vamos por partes. Em muitos mercados, é perfeitamente possível que continue a ser bastante razoável baixar a renda em 20% do valor de mercado para obter uma isenção de tributação em IRS. Existem vários mercados que estão sobrevalorizados no que diz respeito às rendas. E depois existem outros mercados em que, dado a diversidade de habitações existentes, não é muito difícil ter certas casas 20% abaixo do valor de mercado. Eu próprio tenho habitações arrendadas nesse contexto! São habitações em localizações menos "prime" e que por natureza têm rendas 20% (ou mais) abaixo do valor referência.

Se quiser consultar os valores de mercado apresentados pelo INE, veja este link. No entanto, nós na ArrowPlus publicámos recentemente um resumo dos valores trimestrais de rendas e yields, a nível nacional, que vêm do estudo de mercado global que fazemos trimestralmente:

rendas e yields investimento imobiliário portugal distritos

Para vários mercados, os preços apresentados pelo INE estão bastante coerentes com o valor de mercado do nosso estudo. Porém, certos mercados, tais como Lisboa, Porto e certas regiões do Algarve parecem ser consideravelmente mais caros do que os dados que o INE apresenta.

Assim, é difícil que os investidores baixem propositadamente as rendas, para que estevam 20% abaixo das baselines dadas pelo INE, quando as baselines já estão baixas face à realidade. Mas é isso que eu recentemente disse num artigo que escrevi para a Vida Económica:

artigo imobiliário vida económica portugal 2020 benefícios fiscais

Depois de ler uns 4 ou 5 artigos a dizer que "isto não ia dar em nada" porque os preços em Lisboa são muito mais altos do que as baselines do INE, pensei para mim "mas existem tantos mercados além de Lisboa..." e depois verifiquei (na realidade já sabia...) que as baselines do INE estão ajustadas à realidade em muitos outros mercados.

OK, ponto seguinte: idosos e deficientes. Muito honestamente custa-me até avaliar este ponto de uma perspectiva de investimento, porque ela tem um cariz social muito forte e na minha opinião é mais do que ajustada. Conhecendo eu inválidos que são obrigados a sair da casa que arrendam "porque o senhorio quer vender ou arrendar a uma renda mais alta" sei perfeitamente que esta medida faz todo o sentido.

Porém, há o lado de investimento a considerar, e o que é importante é estar-se ciente (dos dois lados - inquilino e senhorio) da realidade. E a realidade é que deve perguntar (e deixar redigido no contrato celebrado) aos inquilinos. E não estou de forma nenhuma a sugerir que descrimine os potenciais inquilinos; estou apenas a dizer que deve ter consciência que determinados inquilinos poderão ter regalias como o direito à renovação contratual; E aquilo que qualquer pessoa e investidor quer é saber "com que linhas se coze". Um inquilino deve ser honesto e declarar isso de imediato ao senhorio; caso não o faça com vista a tirar vantagem da situação, renovando um contrato em situações favoráveis, é muito provável que a situação como um todo venha a dar problemas: nenhum senhorio vai querer fazer obras e cobrir a manutenção de uma habitação cujo contrato foi renovado sem que ele o quisesse. E entramos aqui no campo jurídico do que se deve e tem que fazer. Mas continua a ser um problema evitável... Para rematar esta parte: tenha sempre compreensão pelos mais desfavorecidos e incapacitados, independentemente do contexto.

Ponto último - benefícios fiscais com a estabilidade no arrendamento. Fantástica medida, e com sentido, na minha opinião. Palavra de atenção para investidores: comprometerem-se com um contrato de 10 anos é um acto muito projeccionista; A palavra de ordem é "precaução". Precaução com as actualizações do valor do contrato. Dos termos, etc. O fantasma do congelamento das rendas em Portugal vai sempre estar presente... e ainda bem, convém que aprendamos todos com o passado.

Ao mesmo tempo, considero que vários investidores - clarificado que estaria este ponto - avançariam para contratos a 10 anos com inquilinos; Em teoria um contrato destes não impede necessariamente que o mesmo seja revogado (dentro daquilo que diz a lei além do que é acordado) e muito menos que o imóvel seja vendido. Assim, muitos investidores (eu incluído) não teriam grandes problemas em celebrar um contrato desta natureza - i.e. com um período tão grande - caso os pontos anteriores referidos estivessem totalmente salvaguardados (incluíndo o aumento de rendas anual de acordo com o coeficiente legal em vigor).

Dúvidas sobre estes benefícios fiscais

Dito isto, há algumas dúvidas que temos que colocar, e que ainda não foram esclarecidas. Por exemplo, no contexto da celebração de contratos a 10 anos, caso o investidor venda o imóvel, perde rectrocativamente o benefício de isenção de tributação em IRC ou é levado em conta no cálculo das mais valias? É que se sim, então a salvaguarda para o investidor é muito pequena e dessa forma não entendo que algum queira de facto correr o risco.

A mesma pergunta se coloca para o lado do inquilino - mas aí parece-me mais "seguro" assumir que o benefício se manteria para o passado, visto que o proprietário/senhorio/investidor não tem qualquer controlo sobre essa situação.

Relativamente à redução da taxa liberatória, para contratos em que a renda seja até 20% abaixo do "valor de mercado", com uma duração mínima de 3 anos, levanta-se a questão se a taxa de esforço é meramente comprovada pelo rácio entre a folha de vencimento do IRS do inquilino e a renda do imóvel. Caso as despesas fixas do inquilino não sejam levadas em conta (e por quem seriam levadas em conta?), então isto significaria que um casal, mesmo com filhos, estaria muito melhor posicionado para ter uma taxa de esforço mais baixa...

Benefícios fiscais para a reabilitação

Actualmente já existem vários benefícios fiscais para a reabilitação, nomeadamente em prédios na ARU que sejam objecto de reabilitação urbanística. Mas esse tópico é por si só um artigo, que deverei escrever para este blog no futuro. Queria apenas comentar brevemente sobre os programas do mesmo tipo nestas medidas, que se dividem no programa "Reabilitar para arrendar", que oferece financiamento para reabilitação de imóveis com vista ao arrendamento e no "Fundo nacional para a reabilitação do edificado". Quanto a este segundo, haveria muitas questões a dissecar, e portanto queria apenas tecer alguns comentários quanto ao primeiro.

O programa "Reabilitar para arrendar" tem de facto um fundamento muito lógico e claro. O mercado do arrendamento em Portugal peca, claramente, pela pouca oferta. Vivemos tempos em que o mercado do arrendamento está muito alto, em virtude da crescente globalização interna o que leva as pessoas a pensar em mobilidade (vs estabilidade numa localidade), além de fatores como o histórico relativo a crédito malparado e devolução de habitações à banca...

Já o programa em si tem, a meu ver a seguinte lacuna: a maioria dos investidores não quer recorrer a apoios desta natureza simplesmente porque eles obrigam a uma logistica muito grande! Primeiro necessitam de um projecto de requalificação (o que não seria muitas vezes necessário caso se investissem apenas capitais próprios, assumindo entre outras coisas que não se alteraria a estrutura do edifício). Segundo, o dinheiro é libertado a conta gotas. Ora isto cria uma série de camadas adicionais de logística, impede a negociação em volume (de material, electrodomésticos, etc) e na minha opinião, ter sucesso ao investir em imóveis tem tudo a ver com boa negociação: tanto na compra de imóveis como na negociação dos preços de remodelação, material, etc.

E voltamos ao encontro dos mesmos problemas que temos sempre, no que concerne ao investimento imobiliário em Portugal, que não são uma consequência desta medida, mas continuam por resolver. Algumas destas medidas são standard no sistema alemão, tais como:

  • Devolução da caução apenas no fim do contrato, depois de ser realizada uma vistoria ao imóvel. Já teve algum inquilino a danificar o seu imóvel no último mês de contrato e a não querer assumir a responsabilidade? É claro que se o valor de caução for usado com a finalidade de pagar o último mês de renda, deixa de existir protecção, e mais do que isso, é desvirtuado o conceito.
  • Existência de seguros de renda, tal como existem na Alemanha. Não falo da imposição à contratação, falo apenas da existência: é algo que em Portugal não existe e deveria haver "pressão" por parte do governo junto das seguradoras para a criação destes seguros, tão comuns lá fora.
  • Existência de outros mecanismos de protecção. Poderia enumerar muitos, mas vamos começar por um simples: e que tal os municípios requerem o registo dos habitantes desse município, e exigirem o contrato de arrendamento (ou prova de habitação própria permanente) para o registo? E sem esse registo, os contratos de trabalho não seriam válidos, nem seria possível contratar serviços de luz e água (tal como acontece na Alemanha). O número de contratos de arrendamento registados dispararia, sendo que o mercado corrigiria a nível de preços (deixaria de haver concorrência desleal por parte daqueles que não registam os contratos e podem cobrar rendas diferentes por não pagarem impostos).

Em altura oportuna dissecarei as dúvidas que apresento neste artigo - assim que consiga responder às mesmas - e falarei sobre o projecto de lei apresentado pelo partido socialista acerca da Nova Lei de Bases na Habitação.

Bons negócios imobiliários!

O que é uma bolha imobiliária e temos ou não afinal numa bolha imobiliária em Portugal?

Portugal sofreu em 2008-2009 com a existência de uma bolha imobiliária, o que parece ser sido totalmente esquecido desde a franca recuperação do sector.

Porém, hoje podemos colocar a pergunta se estamos ou não numa bolha imobiliária.

E além disso, se essa possível bolha nos pode levar a uma crise imobiliária como aquela que aconteceu há alguns anos atrás.

O mercado imobiliário está ao rubro em Portugal. A crise do imobiliário que o país viveu há uns anos atrás parece estar totalmente esquecida. Essa crise teve na altura um impacto enorme na vida de muitas pessoas… porém, com a quantidade de pessoas que hoje compram casa própria, a crise parece estar esquecida!

Isto leva-me a pensar se os portugueses entendem de facto a real vantagem de arrendar casa ao invés de comprar. Comprar casa própria nem sempre é uma jogada muito inteligente – depende do caso de cada um. Mas a altíssima taxa de habitação própria em Portugal leva-me a querer que muita gente não toma esta questão em verdadeira consideração.

Aliás, o tema “comprar ou arrendar casa” é tão debatido lá fora por algum motivo. E eu vou debatê-lo neste blog em breve.

Porém, hoje vamos falar de bolhas imobiliárias.

O que é uma bolha imobiliária

Em primeiro lugar, tenho que lhe dizer uma coisa muito importante. O conceito de bolha imobiliária não agrega consenso geral por parte de todos os especialistas; muitos até definem este conceito de forma idêntica, mas discordam na forma como elas são originadas, criadas e mantidas.

bolhas imobiliárias o que são e bolhas imobiliárias em Portugal

Eu defino uma bolha imobiliária como uma procura alta de imóveis, que faz naturalmente aumentar o preço quando a oferta se mantém ou não sobe ao mesmo nível, causando uma desproporcionalidade na sustentabilidade real do mercado.

Complicado?

Trocado por miúdos, a procura sobe mais que a oferta (quer por motivos de fácil crédito, rendimentos folgados ou especulação de valorização de preços) e em particular “acima do que devia”, se olharmos para aquilo que é a sustentabilidade do mercado. Faz sentido? Eu também gravei um video sobre este mesmo tema, irá ser lançado nos próximos dias – subscreva o nosso canal para ficar a par!

Causas de bolhas imobiliárias

Como lhe disse antes, as causas de bolhas imobiliárias não são exactas e os especialistas não estão sequer em consenso quanto às causas reais de bolhas imobiliárias, por isso lembre-se que o que lhe escrevo aqui são meras opiniões pessoais e não factos inegáveis.

E para falar deste ponto, vou dar-lhe uma causa de bolhas imobiliárias…

Para avaliar esta questão temos que ter em conta que o imobiliário e o investimento em imobiliário (ou seja a compra de imóveis – não necessariamente a compra de imóveis para investimento) funciona por períodos.

Quando a banca “abre a torneira”, então os níveis de aquisição de imóveis disparam, isto porque o sector imobiliário é extremamente alavancado por crédito. A maior parte das pessoas que compra casa não tem os recursos necessários para adquirir o imóvel sem recurso à banca.

Ao mesmo tempo, nós seres humanos tendemos a funcionar uníssono. Ou seja, se nós virmos um conjunto de pessoas a fazer algo, tendemos a fazer o mesmo. Conhece aquele caso em que é feito um teste numa sala, onde é colocada uma pessoa no meio de um grupo que se levanta sempre que toca uma campaínha? Após três vezes a pessoa levanta-se instintivamente, com o resto do grupo.

Assim, se muita gente compra, é levado a crer que “é boa altura para comprar”, e mais gente compra. Pode parecer estranho, mas é isto que acontece na prática.

Ora depois funciona a lei da procura e da oferta. Quando existe muita procura… os preços sobem.

Procura e oferta e casa própria – tudo conta na criação da bolha

Mas n’algum ponto a procura diminui, certo? Ou os bancos fecham/abrandam o caudal da torneira do crédito, ou passam a existir naturalmente menos pessoas que querem comprar casa.

Veja então que mesmo a compra de casa própria afeta a criação de bolhas imobiliárias!

Ora isto leva-nos a outra questão muito importante. Num curto espaço de tempo, a valorização destes imóveis não é garantida – muito pelo contrário. Assim, se os preços começam a cair (ou seja, a bolha rebenta), muitos proprietários deixam de conseguir vender os seus imóveis porque eles não valem sequer o montante em dívida perante o banco.

Isto provoca um efeito em catadupa – as casas são devolvidas aos bancos, o que gera um problema enorme e faz com que “a bolha rebente”…

Vê agora o problema de ter casa própria e ter todas as fichas nessa casa, nesse “investimento”? Uma casa própria não é um investimento, e mesmo que alguém o considere, então trata-se de um portfólio horrivelmente desbalanceado o que pode levar “à morte do artista”.

Imagine que investia o seu dinheiro em acções… alguma vez iria colocar as fichas todas na mesma acção? Provavelmente nunca o faria, certo? Mas se alocar a maior parte do seu capital (ou dívida!) à sua casa própria é precisamente esse erro que está a cometer! Este argumento é muitas vezes usado (eu próprio falo dele nos meus vídeos e no meu livro) pró-arrendamento e contra-compra de casa própria…

É possível tirar partido de bolhas imobiliárias?

OK, a longo prazo, a valorização do imobiliário tem sido um dado constante desde sempre, na vasta maioria dos mercados mundiais.

Essa valorização tende a acompanhar e em vários casos ultrapassar mesmo a inflacção.

Porém, em vários momentos (se olharmos para um período muito curto no tempo) na realidade pode existir uma queda brutal do valor do imobiliário, especialmente se olharmos para o período “pós-bolha”.

Ao mesmo tempo, isto também se traduz numa excelente oportunidade para lucrar com imobiliário. Muitas vezes, após uma queda grande dos preços, existe uma forte recuperação do sector, e por isso, muitos investidores compram após essas quedas ou “correcções”, como eu prefiro chamar-lhes (por achar que faz mais sentido).

Isto origina muitas vezes valorizações muito grandes… aliás, é até nestes períodos que as maiores fortunas são feitas! Como eu gosto de dizer, quando os outros compram, você senta-se. Quando os outros se sentam, você compra!

Naturalmente que os ganhos de uma bolha são apenas visíveis depois dessa bolha passar. E terá que liquidar o seu portfólio, caso contrário não terá rendimentos da valorização dos seus imóveis. Esta (comprar para arrendar ou vender) é de resto uma decisão que terá que tomar quando começar a investir em imóveis.

Para tirar partido de uma bolha, a lógica é muito simples: comprar baixo e vender alto. Ou seja, identificar quando os preços atingem o mínimo, e vender quando dificilmente subirão mais (ou já se está confortável com o retorno).

bolhas imobiliárias o que são e como tirar partido de bolhas imobiliárias em Portugal

Mas é assim tão óbvio que seja possível tirar partido de bolhas imobiliárias? Bom, eu conheço o caso de um amigo que atingiu a independência financeira em Portugal através do imobiliário após a crise de 2008.

Aliás, o preço do imobiliário em Portugal continuou barato (ou seja, abaixo do valor de mercado) até mais ou menos 2014, quando acabou o programa de assistência económica e financeira. A partir daí a economia portuguesa (e o imobiliário em particular) tem vindo a recuperar e crescer a olhos vistos… Basta reparar nas manchetes recentes:

(fonte: Jornal de Negócios)

(fonte: Diário de Notícias)

Sendo que também podemos observar que a taxa de desemprego tem vindo a descer, até aos 7.8%, o que é menos de metade da Espanha e da Grécia, como podemos observar no gráfico abaixo:

É um facto – hoje a economia portuguesa está numa fase muito boa, tal como de resto a economia mundial.

É possível tirar partido de uma bolha imobiliária? Continua a sê-lo, apenas não da forma que descrevi acima. Agora a chance terá que passar por comprar e revender enquanto a cruva continua a subir…

Bolhas imobiliária em Portugal hoje?

Eu acredito (é meramente uma opinião) que o mercado do Porto e Lisboa estão hoje sobrevalorizados (e certos sub-mercados de Lisboa e Porto estão mesmo numa bolha imobiliária), como pude dizê-lo aqui:

então eu não quero comprar nada nestes mercados para já.

Assim que houver uma correcção, a história mudará de figura, exactamente na linha do que lhe disse acima.

Isto porque eu não tenho um gosto ou desgosto particular por mercados. Apenas há mercados que são bons em determinadas alturas e maus noutras…

E hoje – é a minha opinião – os grandes mercados imobiliários em Portugal – como Lisboa e Porto – estão numa bolha. Até o FMI lançou o alerta de bolha imobiliária em Portugal, porque o preço das casas subiu mais que o dobro da média na Europa e o Banco de Portugal desenvolveu 3 medidas para moldar o acesso ao crédito habitação

Na minha opinião estes mercados tiveram uma valorização repentina (especialmente no que concerne aos centros) por alguns motivos, tais como:

  • As taxas Euribor negativas e a abertura da torneira de crédito;
  • Os vistos Gold, “que puxaram os preços” de imóveis de 350.000€ para 500.000€…
  • O aumento brutal do turismo em Portugal (Lisboa e Porto à cabeça) e a revolução do alojamento local;
  • A evolução natural da economia e a criação de rendimento excedente;

Os centros ficaram tão caros que toda a gente optou pelas periferias de Lisboa e Porto – que valorizaram tremendamente nos últimos anos… aliás, muita gente não consegue comprar casa porque o preço aumenta de dia para dia (outro indicador de bolha?).

E não será este o padrão de 2007-2009? Não estará a banca a cometer os mesmos erros que levaram ao colapso da economia?

Bom, sem falar de muitas questões, podemos fazer uma pergunta: Significa isso que todos os negócios são maus hoje nessas cidades? Não necessariamente… mas é muito menos provável que se consigam obter excelentes negócios.

E boas notícias, há?

Claro que sim. A verdade é que Portugal tem à data de hoje, e na minha opinião, mercados altamente lucrativos e saudáveis… embora tenha que continuar a procurar imóveis com critério como eu faço e mostro no meu livro como fazer.

A verdade é que se tiver muito critério na selecção de imóveis para investimento poderá fazer excelentes negócios, até porque eu sei que o mercado imobiliário não está – no geral – numa bolha imobiliária!

E mesmo que compra num mercado em bolha – se utilizar métodos rigorosos e eficazes que lhe permitam comprar imóveis muito abaixo do valor de mercado… então compra numa bolha mas compra por valores normais ou abaixo do valor de referência! Tudo isto apenas se tiver conhecimento desses métodos e os aplicar com eficácia, naturalmente…

Mas os preços estão assim tão altos? E quer isso dizer que estamos numa bolha?

A economia portuguesa está “imparável” à data de hoje. E o Banco de Portugal até diz que o investimento na habitação vai continuar até 2020, representando um total de 2.8% do PIB.

A consultora IP Global até diz que Lisboa será uma das principais cidades a investir em imobiliário nos próximos anos, com uma importância semelhante a Londres, afiançando mesmo que o mercado imobiliário em Lisboa ainda vai valorizar, podendo crescer quase 20% até 2022.

Esta estimativa, a estar correcta, pode tanto indiciar que a capital portuguesa está verdadeiramente numa bolha, ou não – depende da análise.

Mas o investimento em imobiliário não fez baixar o valor das rendas. Num estudo recentíssimo do INE, que apresentou um índice de arrendamento residencial, o RHAB, podemos ver que Lisboa é a cidade do País com as rendas mais altas e atinge um valor mediano de 9,62€ por metro quadrado, por mês!

Isto quer dizer que um apartamento com 100 metros quadrados tem uma renda de 962€ por mês…

E a IP Global atira uma previsão de subida do nível das rendas de mais de 27% nos próximos 4 anos. Ora isso dá quase 7% ao ano…

A agência Fitch já alertava para a existência de uma bolha em Espanha (Madrid e Barcelona) em finais do ano passado… isto quando mencionou que os preços subiram até 35% no ano!

O que esperar daqui para a frente?

Não é com certeza o maior período de “vacas gordas” a que já assistiu, mas não ouve ninguém falar em crise, acertei? Pelo menos, muito longe vão os tempos da Troika. A economia está saudável – nem sequer ouvimos notícias preocupantes sobre a taxa de desemprego! O modelo da economia em que vivemos não permite as “desventuras” de outrora, mas ninguém pensa em crise.

A partir de finais de 2013 – altura em que o imobiliário em Portugal bateu no fundo – o sector iniciou uma recuperação fantástica. Nessa altura ainda não se ouvia falar de estrangeiros que queriam comprar imóveis para arrendar em alojamento local. Hoje Lisboa é chamada por muitos de “cidade refúgio” para investidores.

Várias fontes apontam para um contínuo investimento (e procura) no imobiliário – incluindo o Banco de Portugal. Eu diria que já estamos num ponto onde qualquer previsão de uma correcção é muito arriscada. A verdade é que nos centros de Lisboa e Porto existe ainda muita procura enquanto a oferta (especialmente de casas novas) é muito muito baixa. Porém, eu consigo “cheirar” uma correcção ao virar da esquina!

Saber analisar mercados, em função do nosso próprio perfil de risco, é verdadeiramente fundamental para investir em imobiliário. Ainda para mais quando possam existir tantos indicadores de uma bolha imobiliária no contexto actual do sector imobiliário em Portugal.

A boa notícia é que existem métodos, como eu mostro no meu livro e em vídeos/relatórios, que qualquer investidor pode aprender.

E eu acredito que estes métodos podem ajudar muito a definir o tipo de mercado em que nos encontramos. E,com base nisso, (e na situação pessoal de cada um) se nos sentimos verdadeiramente confiantes para investir.

Repare, usando um método que eu desenvolvi, que basicamente tem em conta a rentabilidade do negócio, a valorização dos últimos anos nesse mercado e alguns outros factores, permite chegar à conclusão que Lisboa e Porto estão muito valorizados em relação a outros mercados em Portugal.

Na ArrowPlus nós usamos uma métrica própria, chamada de “valor relacional de mercado”, como pode ver no gráfico abaixo:

Esta métrica, calculada com base num método próprio, faz-nos crer que Porto e Lisboa estão actualmente muito abaixo de outros mercados nacionais. Mas quer dizer que isto é necessariamente assim? Claro que não, não tem que acreditar piamente nas nossas opiniões.

Mas por vários motivos que já lhe mostrei, este é apenas mais um indicador daquilo que me parece a mim.

Uma nota importante: esta métrica não separa alojamento local de arrendamento dito “comum”. Em alojamento local, esta figura seria bem diferente… Porém esse é um sub-mercado e como tal tem que ter uma análise própria e separada.

Detectar bolhas imobiliárias “no meu mercado”…

Quer determinar se o seu mercado está numa bolha?

Bom, em primeiro lugar eu devo dizer que é virtualmente impossível ensiná-lo a detectar bolhas de mercado em geral. Isto porque nem os mais reputados economistas conseguem, por isso pensarmos que qualquer pessoa conseguiria seria ilusório… Especialmente se pensarmos “de forma sistemática”…

Dito isto, eu estou convicto que consigo determinar se um mercado está muito sobrevalorizado ou não. E também estou convicto que consigo saber se ele está perigosamente sobrevalorizado, o que poderá constituir uma bolha.

Mas o comum investidor não precisa de determinar a existência inequívoca de bolhas para (não) investir. Basta que encontre o mercado (periogosamente) sobrevalorizado para não investir. E basta que consiga prever se a situação vai durar ou não muito tempo. Isto porque assim pode decidir entrar e sair do mercado fazendo dinheiro. É que até no meio de bolhas é possível lucrar muito com imóveis

Mas então, “como é que eu sei se estou numa bolha”, pergunta. Novamente, digo-lhe que é virtualmente impossível ensiná-lo a detectar bolhas…

No entanto existem factores que são normalmente usados para fazer soar as campaínhas, tais como:

  • O mercado estar louco. Muita gente a comprar e os preços a subir rapidamente (às vezes ao dia).
  • Os preços não são sustentáveis na economia local. Quando Lisboa começa a ter imóveis a 10.000€ por metro quadrado… Ou seja, um apartamento de 100 metros quadrados custa 1 milhão de euros, apercebemo-nos que isso não é sustentável na economia nacional!
  • A rentabilidade passa para valores baixíssimos. Ora se as rendas não subiram, os preços dos imóveis aumentaram… a rentabilidade desce. E se a rentabilidade é muito baixa, adivinhe: estamos em zona perigosa.
  • As taxas de juro estão muito baixas e a banca concede mais e mais crédito. Veja o que aconteceu à Euribor a 12m nos últimos anos:(Fonte: Pordata)
  • Etc, etc, etc.

O meu livro “Investir em imobiliário: do 0 ao milhão” pode ajudar a esclarecer mais dúvidas e permitir desenvolver o seu método para saber quando e onde investir.

Bolhas imobiliárias no mundo

Se olharmos para a história recente, encontramos uma bolha imobiliária de relevo entre 1997 e 2008. Já agora, o termo “sub prime” diz-lhe alguma coisa?

Segundo a revista “The Economist”, os preços do imobiliário foram especialmente acentuados neste período.

Quando a bolha rebentou entrámos na maior crise global desde há muito tempo…

Neste período o mercado na Nova Zelândia cresceu mais de 300%. Pense um pouco nesse número… dá mais de 30% ao ano! E o mercado inglês e o brasileiro cresceram também mais do que 300%! Surreal, diria…

Quanto ao Brasil, existem hoje várias fontes a apontar para bolhas imobiliárias no Brasil. Curiosamente, quando houve uma bolha enorme nos Estados Unidos (e logo a seguir o mercado imobiliário crashou também em Portugal), o mercado imobiliário no Brasil teve um aumento brutal.

Houve valorizações de quase 80% em apenas 4/5 anos. Essencialmente, o crédito fácil e outros factores impulsionaram muito o mercado… porém foi atingida uma situação de limite em 2015, quando o Brasil começou com uma crise relativamente forte. Vários especialistas apontam para uma bolha nessa altura, mas outros dizem que não houve.

Hoje o Brasil vive ainda uma situação pós-“bolha” ou similar; Essencialmente, existem ainda vários imóveis construidos durante a época de impulsão que ainda se encontram desocupados. Tenho seguido o mercado brasileiro com alguma atenção porque me parece que vai estar em contra-peso com o mercado português. Isto, naturalmente, pode criar várias oportunidades interessantes.

Até ao próximo artigo,

Bons negócios imobiliários!

Reforma antecipada/Independência financeira em Portugal: possibilidade ou utopia?

independencia financeira

Se lhe dissessem que a reforma antes dos 30 anos fosse possível, diria possivelmente que seria piada.
Mas será mesmo? O conceito de independência financeira – não ter que trabalhar mais por dinheiro – já
apareceu nos Estados Unidos há algum tempo, mas só agora chega, timidamente, a Portugal.

Sabe o que é ser financeiramente independente, ou atingir a independência financeira ou reforma antecipada?  Neste artigo mostro-lhe tudo, e como auxiliámos investidores em imobiliário a alacançar este patamar financeiro, o último da escalada financeira.

Já pensou ou já ouviu dizer como seria viver sem ter que trabalhar, por ter rendimentos passivos suficientes para cobrir o seu estilo de vida, as suas contas. Esta lógica é simples se pensar em depósitos a prazo e juros: imagine que lhe caiam na conta juros suficientes para atingir a sua independência financeira… o que faria da sua vida se assim fosse?

Apensar deste conceito ser conhecido lá fora, e amplamente usado nos Estados Unidos (foi popularizado em parte pelo Robert Kiyosaki), em Portugal é muito pouco vulgar ler-se sobre o tema. Felizmente, depois de ter eu próprio entrado na rota da independência financeira através do imobiliário, a ArrowPlus captou vários clientes investidores imobiliários com o mesmo objectivo.

Eu defino “independência financeira” como o estatuto em que os rendimentos passivos de alguma pessoa chegam para cobrir as suas despesas fixas, e por isso a pessoa não ter que trabalhar mais por dinheiro. Ou seja, mesmo sem um salário, não teria problemas em pagar as suas despesas. Mas rendimentos passivos… o que é isso?

Rendimentos Passivos

Os rendimentos passivos são aqueles que são gerados sem necessidade da sua intervenção. Por exemplo, quando os inquilinos me pagam a renda, não houve necessidade da minha intervenção. É claro que durante o mês é necessário fazer tudo para que esteja tudo bem com a casa, resolver eventuais problemas que surjam, etc. Porém, os rendimentos prediais (vulgo rendas) são geralmente considerados passivos, porque não implicam que se levante da cama religiosamente da cama todos os dias “para ir trabalhar”.

Por pensar em rendimentos passivos como aqueles que não requerem o seu tempo ou competência e uma troca destes por dinheiro. É claro que, dito isto, necessita de ter competência para investir capital, e para montar um plano que lhe permita atingir a independência financeira. Porém essa competência é “apenas” necessária para poder organizar a sua vida financeira por forma a atingir a independência financeira – não para gerar rendimento.

Exemplos de rendimentos passivos incluem rendas de imóveis, royalties (por exemplo de livros e patentes), rendimentos de capital (como acções, obrigações e negócios), etc. No meu caso pessoal, os meus rendimentos passivos são gerados através do imobiliário (rendas), rendimentos de capital e royalties do meu livro.

Para ter uma carteira de rendimendos passivos (se ainda não tem ou começou) deve começar hoje. Eu demorei cerca de 11 anos a montar a minha própria carteira de investimentos, por isso é algo que é moroso e tem que ser bem estruturado desde o início. Também deve considerar que é necessário tirar partido da composição do dinheiro e da valorização dos activos. Por isso é que é importante começar (seja investir em imóveis ou outros activos) cedo.

Receita base para atingir a independência financeira

Na minha opinião, existem 4 vectores essenciais para atingir a independência financeira:

1 – Poupança. Sabe quanto gasta por mês? O primeiro passo é conhecer os números. O segundo é
cortar naquilo que não o faz feliz – há muita coisa onde o comum cidadão gasta dinheiro sem que se
aperceba ou tire valor efectivo. Adaptar um estilo de vida mais frugal (desde o minimalismo ou a
poupança apenas nas despesas maiores) é o primeiro passo para se tornar financeiramente
independente.

2 – Diminuição de impostos. Como acontece com qualqual acto ilegal, sou manifestamente contra a
evasão fiscal. No entanto, a diminuição de impostos que pagamos não tem que ser ilícita, dado que o
próprio código fiscal prevê várias formas de diminuição de impostos. Por exemplo, ao contribuir para
um PPR tem direito a um benefício fiscal. O meu conselho é simples: procure um contabilista
experiente e discuta o seu plano com ele. Os benefícios fiscais do código fiscal são um excelente ponto
de partida.

3 – Aumento da receita. O aumento da receita pode ser feito de várias formas. Muitos dos meus
clientes tiveram sucesso em negociar os seus salários, tando negociando com a entide patronal como
mudando para outra empresa. Outros, e talvez aqueles que obtiveram os melhores resultados em geral,
iniciaram uma actividade em part-time. É interessante que a maior parte dos meus clientes tenha
nalgum ponto evocado falta de tempo para iniciar tal actividade. A falta de tempo depende da
perspectiva. Eu aprendi a mostrar outras perspectivas a esses clientes, dizendo-lhes que se precisam de
uma hora para se deslocarem para o trabalho e outra para voltar a casa, então perdem quase 1 ano de
tempo útil a cada 10 anos!

4 – Investimento. Tecnicamente investimento é parte do aumento da receita, mas por ser tão
importante e peculiar ao mesmo tempo, considera-se por norma este ponto à parte do aumento da
receita. O tipo de investimento e retorno que deverá ter dependerá da sua estratégia. Ferramentas de
investmento incluem imobiliário, acções e obrigações, entre outras. Há vários graus de risco e
passividade. Se calhar nunca investiu na bolsa – afinal cerca de 90% dos portugueses nunca investiram
na bolsa. No entanto, sabia que o retorno do S&P500 é, historicamente, de mais de 9%? Discuta o seu
portfolio com um consultor especializado, certificando-se que está confortável com o risco ao qual está
exposto.

Seguir esta fórmula não é difícil, e na realidade até se torna hábito para muitos – tal como se tornou
para mim. O objectivo deste artigo é dizer que, com uma estratégia, é atingir a reforma mais cedo do
que se espera. Ou pelo menos deixar de trabalhar por ter que ganhar dinheiro, e atingir assim a independência financeira.

Devo também dizer que enquanto para algumas pessoas o foco deve ser distribuido de igual forma pelos quatro componentes, outras pessoas devem focar-se mais em componentes específicos.

O meu caso pessoal para atingir a independência financeira

O meu próprio caso é demasiadamente ligado ao imobiliário para ser usado como exemplo. Simplesmente a minha vida foi um conjunto de excepções para aquilo que é o standard dos portugueses e por isso não vou usar o meu próprio exemplo para ilustar como obter a reforma antecipada ou independência financeira. Porém, posso dar-lhe a minha opinião relativamente a certos aspectos que considero essenciais para atingir a independência financeira.

Instrumentos de investimento

De caras, eu não recomendaria investimento em depósitos a prazo, certificados do tesouro e certificados de aforro. Estes investimentos são bons para preservação de riqueza/capital, mas não mais do que isso. Os Certificados do Tesouro são instrumentos de investimento “sem risco” mas são instrumentos de dívida pública destinados à poupança das famílias e por isso têm um retorno baixo. Os certificados de aforro são também instrumentos de dívida destinados à poupança das famílias.

Para atingir o seu objectivo de se tornar financeiramente independente, deve considerar investimentos com rentabilidades maiores do 6% ou 7%. Investir em imóveis é uma solução, mas tem mais. A bolsa como lhe disse antes tem retornos, historicamente falando, de 9%. Um negócio próprio em Portugal tem retornos na casa dos 15% ou mais. É claro que neste último não terá possibilidade de ver o negócio crescer sem fazer por isso (e não será um rendimento passivo a não ser que contrate alguém para o gerir). Encontrar negócios já “montados” e que se consigam a um preço muito abaixo do valor de mercado (o que faz disparar a rentabilidade) parece ser uma forma muito interessante de construir riqueza.

Pessoalmente vi vários clientes, amigos e conhecidos fazê-lo com sucesso. O meu amigo Rui, por exemplo, que comprou um pequeno hotel de turismo misto que hoje tem uma rentabilidade de cerca de 18%. Ou um cliente, programador informático, que comprou site com uma rentabilidade de quase 50% por ano! Estes negócios estão aí para quem os quiser encontrar, sendo que naturalmente levam tempo a serem encontrados. Mas encontrar os vendedores motivados é o passo mais garantido para o sucesso.

Investimento imobiliário

O meu caminho foi traçado com o imobiliário. Essencialmente, eu comecei a ser bom em identificar imóveis muito abaixo do valor de mercado e a rentabilizá-los arrendando a um preço de mercado justo. Optei por escolher o segmento médio porque havia mais oportunidade e comecei a ter resultados tais que tive que co-fundar a ArrowPlus.

O imobiliário tem enúmeras vantagens perante outros investimentos. A maior, na minha opinião, é ser possível obter um ganho enorme logo na compra. Isto é, é possível comprar activos imobiliários muito abaixo do valor de mercado. Já com acções, pode apenas comprar acções a bom preço, nunca abaixo do valor de mercado. Já tinha pensado nesta diferença?

Porém, existe outro factor que é perfeito para quem quer atingir independência financeira: a possibilidade de alavancar. Ou seja, com o imobiliário tem a possibilidade de pedir empréstimos para investir. Ao contrário dos outros activos, onde quase sempre precisa de capital para arrancar, o imobiliário dá-lhe esta vantagem única. A independência financeira é muitas vezes um projecto que começa de baixo, muito baixo, e por isso faz sentido que necessite de alavancar.

Foi por aqui que eu comecei. Um imóvel, 4 imóveis, 10 imóveis. Quando dei conta se baixasse as minhas despesas o suficiente poderia “reformar-me”. Mas descobri isso quando dei conta que eu consigo criar imenso valor, e por isso quis rapidamente criar a minha reforma para poder trabalhar não por dinheiro, mas sim por outros objectivos. E hoje crio valor de uma forma mais liberta, integra e rápida do que alguma vez poderia fazer se não fosse financeiramente independente.

Exemplos independência financeira

A primeira vez que conheci alguém que se reformara antes dos 35 anos já eu estava a executar o meu próprio plano há algum tempo. O meu maior objectivo em atingir a independência financeira foi aquele de, além do desafio (porque adoro desafios complicados), poder alavancar o meu tempo para criar valor. Na realidade eu sou um pouco obstinado com a criação de valor (e valor de altíssima qualidade). Daí que juntar um mais um foi simples.

Desde então, tenho conhecido várias pessoas e vindo a ajudar clientes a seguirem caminhos idênticos ao meu. Em breve planeio escrever um livro sobre independência financeira, porém só mais lá para a frente é que vou pensar nisso, já que estou ainda na ressaca da escrita do “Do 0 ao Milhão“.

Há no entanto uma mensagem muito importante que quero passar já: desengane-se quem pensa que só os mais bem pagos se podem reformar ou ser financeiramente independentes antes dos 40. Na realidade quanto ganha importa pouco. O mais importante é saber qual a percentagem do seu salário que poupa. Na realidade a matemática é a mesma caso ganhe 20 mil ou 200 mil euros. A figura seguinte indica o número de anos necessários até à reforma em função da percentagem do salário que poupe (mantendo o mesmo nível de vida depois da reforma):

independencia financeira

Viu? Importa pouco o que ganha. Importa mais o que gasta, e o rácio entre o que ganha e o que gasta. Por exemplo, se poupar 70% do seu salário, pode reformar-se dentro de 8 anos e meio, mais ou menos. Quer ganhe 20 mil euros por ano ou 200 mil! Quer tenha 20 anos ou 40!

Contudo, a poupança é apenas uma parte da equação da independência financeira, que contém quatro componentes, como lhe mostrei acima. Além disso, existem vários obstáculos… muitos mesmo!

Obstáculos no caminho para a independência financeira

Falta de conhecimento/literacia financeira

Desde que regressei a Portugal houve uma coisa que me saltou logo à vista: existe uma iliteracia financeira enorme em Portugal. Se calhar já existia quando eu saí do país, porém não dei conta dela na altura. Hoje é muito mais evidente. A quantidade de pessoas que eu vejo que não sabe administrar dinheiro é enorme, e isso deixa-me triste. Triste porque existem muitas pessoas a passar por dificuldades e não tem que ser assim.

A ArrowPlus está empenhada a trazer conhecimento sobre a parte financeira do imobiliário, de forma frontal, fácil e gratuita. Esse é um dos nossos comprometimentos e será assim por muito tempo. Porém, o nosso contributo não chega. É necessário haverem mais canais como este, e além disso é necessário que quem está em busca da independência financeira que saiba tirar partido de outras fontes, como livros.

Gestão activa

Vamos ser sinceros: se estiver a pensar que conseguirá aumentar o seu rendimento estando em todo o lado, desengane-se. Para fazer crescer o seu rendimento é necessário que não faça uma gestão activa dos seus negócios e/ou investimentos. Caso contrário não terá tempo para tudo, acredite em mim. Por isso tem que pensar “passivo”, ou seja, tem que elaborar uma forma de fazer crescer os seus investimentos sem que gaste mais tempo com eles.

Esta é provavelmente uma das maiores barreiras que existem para muitos pequenos investidores que ambicionam ser financeiramente independentes. Na realidade esta costuma ser a parte mais difícil de “dominar” por aqueles que querem atingir a independência financeira. Daí que muitos dos nossos clientes recorram ao nosso produto “rentabilidade garantida”, que é totalmente passivo.

Controlo de despesa

Quando digo que a maior parte das pessoas não sabem gerir dinheiro quero na realidade dizer que a maior parte das pessoas não sabe… gerir a despesa. Além dos elementos essenciais que precisamos para viver, como alimentação, roupa, etc, eu penso em todas as compras como o valor que me trarão depois da compra. Por exemplo, um bom livro vai-me trazer imenso valor a nível de desenvolvimento pessoal (e até financeiro). Uma televisão cara (eu não vejo televisão, contudo), não.

E há várias formas de controlar a despesa. Eu pessoalmente recomendo que se faça um controle exaustivo nos primeiros tempos, para se saber ao certo para onde o dinheiro está a ir e porquê. Pode utilizar várias técnicas, desde software até escrever num bloco de notas sempre que gasta dinheiro (como eu fiz no primeiro ano do meu plano). O importante é saber para onde o seu dinheiro está a ir, como, e se é realmente necessário fazê-lo.

Aumento de rendimentos

O outro maior problema: a maior parte das pessoas não sabe como aumentar os rendimentos que tem, e está presa à ideia de que o seu salário lhe traz todo o rendimento. Claramente são pessoas que têm que pensar na beleza do investimento e mais do que pensar nela, ter os seus horizontes abertos para que possa entender as vantagens de investir. E não tenha a mentalidade que investir em Portugal não é possível ou rentável… até os alemães aconselham tal coisa!

Por isso, aprenda a investir. Seja em imobiliário, acções, obrigações ou outros veículos, invista (sempre de uma forma controlada e calculada!). O aumento de rendimentos é um obstáculo para muitos simplesmente porque não fazem ideia das melhores formas de ganhar mais dinheiro (inclusivamente já vi pessoas sujeitarem-se para ganhar 20€ por dia, trabalhando 8 horas).

Jogo de cintura

Ainda um outro problema: há pessoas que simplesmente não têm atitude para procurar e/ou negociar investimentos e negócios. Naturalmente que um plano arrojado como o de alcançar a independência financeira requer um “jogo de cintura”.

Seja para negociar, ser criativo no aumento de rendimentos, ou outra coisa, é necessário ter uma atitude de “fazer acontecer” e ser muito flexível. Esta sinto que foi uma das qualidades que melhor consegui rentabilizar na minha própria história até à independência financeira. Pode não ser óbvio, mas muita gente falha neste ponto sem se aperceber.

A recompensa

A sério, 48 anos de descontos? Sejam 47 ou 48, é igual – é muito muito tempo. Poder-se reformar antes dos 40 (já nem digo 30) devia ser um objectivo de todos. A partir daí as pessoas trabalhariam por puro prazer, com uma integridade superior. O mundo seria muito melhor.

Mas a recompensa é enorme, e inclui outras coisas:

  1. Trabalho com integridade, apenas por gosto;
  2. Segurança em fazer o que quer;
  3. Tirar o dia, a semana, o mês ou o ano “off” porque lhe apetece;
  4. Dedicar-se a causas, voluntariado, etc;
  5. Dar mais à sociedade;
  6. Dar tempo à sua comunidade;
  7. Poder dizer o que quer – acabaram-se os “sapos” que tem que engolir;
  8. Passar mais tempo com filhos e família;
  9. Viver os seus sonhos;

Conclusões

Eu falei-lhe de vários aspectos da independência financeira neste artigo. Quero agora fazer-lhe um resumo daquilo que na minha opinião faz sentido fazer para alcançar essa mesma independência financeira:

1. Começar cedo

2. Ter plano muito bem estruturado

3. Saber em que vértice se concentrar

4. Pensar “passivo”

5. Investir bem

6. Ser frugal

Investir em imóveis em Portugal e como ganhar dinheiro com imóveis

O imobiliário em Portugal está em grande. Em 2017, Portugal teve um “ano espetacular”, e o mercado “é sustentável”, disse recentemente a consultora JLL. Investir em imóveis em Portugal passou a ser novamente um tópico quente. Em Lisboa o investimento cresceu 17% apenas no primeiro semestre de 2017. 2017 foi o melhor ano de sempre a nível de operações com escritórios desde 2009. É inegável, o mercado imobiliário em Portugal está bem e recomenda-se.

Nos últimos anos, o número de investidores em imobiliário em Portugal cresceu bastante. Comprar um imóvel para arrendar voltou a ser uma opção para muitos. Na realidade, o sector cresceu bastante, para dar resposta a uma procura enorme que resulta do medo de casa própria originado pela crise de 2008. Um pouco por todo o país, o mercado de arrendamento aumentou tremendamente.

Também regressou uma tendência importante: é cada vez mais frequente pedir empréstimos para comprar casas de investimento. Primeiro, as taxas euribor estão baixíssimas (negativas até) o que resulta em taxas atractivas para crédito habitação. Segundo, a banca voltou a “abrir a torneira”. Terceiro, os depósitos a prazo em Portugal pagam muito abaixo da inflacção, com taxas médias de menos de 0.5%. Quarto, a valorização recente do imobiliário em Portugal leva a que muitos investidores comprem com a esperança que os imóveis valorizem.

Investir em imóveis

Os imóveis têm características únicas, que fazem do imobiliário um dos melhores tipos de investimento se não o melhor. Na realidade, eu falo extensivamente sobre este tópico no meu livro “Investir em Imobiliário: do 0 ao milhão”. Por isso, vou simplificar esta questão neste post dando-lhe algumas razões para investir em imóveis:

  1. Actualmente, os investimentos mais “seguros” como depósitos a prazo geram rentabilidades minúsculas, abaixo da inflacção;
  2. No entanto, os imóveis são sempre vistos como investimentos seguros, por serem tangíveis;
  3. O valor dos mesmos são menos voláteis;
  4. Permite excelentes possibilidades de diversificação;
  5. Têm inúmeras vantagens fiscais.

1. ArrowPlus – a sua primeira opção para investir em imóveis em Portugal

A ArrowPlus é uma empresa especializada na procura de excelentes negócios imobiliários, com retornos acima da média e/ou com rentabilidade garantida. Neste último modelo (que deve ler com atenção na nossa página) identificamos imóveis para os investidores que têm contratos de longa duração de arrendamento:

rentabilidade garantida em investimentos com imóveis

Devemos sempre ser a primeira opção porque conseguimos identificar excelentes negócios. Excelentes negócios são aqueles onde o investidor ganha muito dinheiro na compra, por comprar significativamente abaixo do valor de mercado. E quer escolha o modelo de gestão completa ou de rentabilidade garantida, encontraremos imóveis de acordo com os seus interesses.

Admitamos no entanto que não quer recorrer a uma empresa especializada como a ArrowPlus. Se estiver interessado, pode enviar-nos um email para geral@arrowplus.pt. Se quiser ter este trabalho por si, descrevo-lhe de seguida uma abordagem genérica para o fazer. Antes de mais tenho que o alertar que isto lhe levará muito tempo e que não será um método “chapa 7″…

Terá que estar bem assessorado e investir muito do seu tempo. Mas terá resultados se de facto se dedicar – como em tudo na vida!

2. O mercado certo para si

Vamos admitir que ainda não tem um conhecimento amplo do mercado imobiliário em Portugal. Ou nunca investiu, ou é estrangeiro ou simplesmente não conhece nada sobre o mercado. Antes de mais é importante ter noção de que, como qualquer investimento, existe risco associado.

E mais que isso, investigue se de facto o imobiliário é o melhor investimento para si. Note por exemplo que este é um investimento passivo, porém não é tão passivo como depósitos a prazo ou acções.

Em comparação com acções ou depósitos a prazo, falamos de diferenças grandes de rentabilidade. Especialmente se nos focarmos no mercado de acções em Portugal e depósitos a prazo… o mercado imobiliário é bastante mais atractivo!

Por exemplo, na ArrowPlus, mesmo em rentabilidade garantida (onde a rentabilidade é muito mais baixa que em gestão activa, porque a manutenção interior do imóvel está coberta e a empresa “assegura” o pagamento da renda todos os meses, reflectindo isso no valor, nós identificamos imóveis com rentabilidades brutas de 8%. Em gestão activa, chegámos a identificar imóveis com rentabilidades brutas de 16% em 2017…

Mas adivinhe…

arrowplus rentabilidades investimentos imóveis portugal

Não eram em Lisboa ou Porto.

Dificilmente o melhor mercado para o investidor é aquele que no qual ele reside. O primeiro passo para identificar mercados bons para investimento é estudá-los. No entanto, isto é uma tarefa árdua que lhe irá consumir muito tempo. Por isso, a ArrowPlus lançou uma linha de estudos de mercado low cost. Capitalizando na experiência e conhecimento da nossa área de consultoria e no facto de fazermos regularmente estudos de mercado para grandes instituições e clientes, lançámos uma linha low cost que permite aos investidores terem acesso à informação que realmente interessa a custo reduzido.

Em alternativa, considere adquirir o nosso relatório “Melhores mercados” onde trimestralmente indicamos quais são os melhores mercados do trimestre com base em recolhas de dados objectivas.

3. Os imóveis

Mas quais são os melhores imóveis? Como os conseguir? Como os negociar?

Identificado o mercado que deseja “atacar”, tem que agora passar para os imóveis.

É aqui que reside outro erro dos investidores iniciantes; alguns procuram imóveis pelo “look”, pelo encanto, e outros pelos bairros que gostam mais. As 3 primeiras regras do imobiliário são 1. localização, 2. localização, 3. localização.

Mas o que é isso da localização? Há boas e más? Escolho as boas?

Sim, mas uma localização boa é aquela que vai apreciar (e não depreciar), ou seja cujo valor vai crescer com o tempo. Um pouco como os mercados, mas numa perspectiva mais micro.

E como escolher as localizações? Bom, considere transportes, serviços, criminalidade, espaços verdes, etc. Considere a zona como se fosse o sítio onde iria viver. Use o senso comum, mas dados concretos também.

Os bons sítios são aqueles onde toda a gente gosta de viver. Faça esta experiência, resulta sempre: convide um grupo de amigos para tomar um café. Pergunte-lhes que zonas da cidade gostariam para viver. E vai rapidamente ver que existe uma percepção generalizada de que algumas zonas são bem cotadas, enquanto outras não.

Mas isso determina os imóveis?

Sim e não. Agora já tem uma base de procura. Mas a localização só por si não determina nada. Aliás, é bem capaz de apenas encontrar maus negócios (a nível de números) nas zonas mais premium. Esse premium paga-se.

Por isso, encontre o “tier-2” das zonas, ou seja, os bairros que são os melhores… a seguir aos melhores!

E quanto aos imóveis, pode usar técnicas de negociação (leia o meu livro, vale a pena!) avançadas. Mas antes de negociar procure os melhores imóveis, faça listas, procure papeis a dizer “vende-se” nos bairros, pergunte a pessoas, etc.

Humm… mas é assim tão fácil?

Parece fácil? Não é. Mas é um começo. Enquanto o meu livro lhe vai dar uma perspectiva muito mais abrangente do que este post, este post é um começo. E no fundo falo-lhe de senso comum, mas sabe quantos investidores iniciantes não o usam?

4. Rentabilidade e outros factores

Como qualquer investimento, a rentabilidade do mesmo acaba por ser o factor mais importante. Sim, a valorização a médio prazo é também muito importante, mas a maior parte dos investidores procura rentabilidades altas no imediato.

A rentabilidade é fácil de calcular: é o dinheiro que recebe do investimento dividido pelo valor total que investiu. No fundo outros investimentos como depósitos a prazo, actualmente não têm rentabilidade. Ou melhor, têm (porque todos os investimentos têm), mas é tão baixinha que não se compara a outros investimentos.

Mas a rentabilidade é tudo?

Não, não é. A rentabilidade e a valorização do imóvel são tudo. Porque juntas estão ligadas a tudo (potencial de renda – embora não de forma linear, procura do tipo de imóvel, retorno, etc).

Mas não consigo calcular a valorização… pois não, mas consegue escolher um mercado que possa vir a tornar-se grande. Ou cujo rácio de imóveis e pessoas penda para o seu lado, independentemente do tamanho do mercado.

OK, então rentabilidade e valorização, OK. Uma consigo calcular e a outra prever, parece fácil. Porém, prever valorizações de mercado é complicado e na minha experiência, pouca gente ganha muito dinheiro dessa forma. Apenas alguns investem o dinheiro e tempo necessários para prever tal coisa. E esse é o truque.

Mas não é o único, o outro é reconhecer valor. Reconhecer valor em patinhos feios, em imóveis que têm um aspecto muito mau mas se podem tornar em imóveis com excelentes condições ao mesmo tempo que o investidor ganha muito dinheiro com isso.

Veja este imóvel:

ruinas imovel para remodelar

Sabia que eu vi um valor enorme neste imóvel? E estava certo, afinal havia de o remodelar e de gerar rentabilidades anuais brutas superiores a 20% com ele. Eis “o durante”, que lhe dá uma ideia do tipo de remodelações que eu faço:

depois obra

No cálculo da rentabilidade, deve englobar tudo o resto, como custos de obras, remodelação, manutenção, juros pagos sobre o capital investido, etc.

5. Investimento e tempo gasto

Agora já sabe conhece a parte do mercado imobiliário, imóveis e até aquilo são boas rentabilidades.

E quanto ao investimento e tempo gasto pelo mesmo? Cada caso é um caso e por isso terá que perceber qual será o melhor caso para si.

Quanto ao investimento, deve pensar nas seguintes questões:

  • Quanto está disposto a investir e se o dinheiro que sobra lhe permite estar desafogado;
  • Qual o tempo que tem para alocar ao seu portfolio (e.g., quer gerir os imóveis/inquilinos?).

Um dos clientes da ArrowPlus chegou um dia até mim e perguntou-me como poderia aumentar o rendimento do portfolio. Com mais de 1.500.000€ aplicados em imóveis, a rentabilidade era muito baixa. Além disso, tinha que investir muito tempo a gerir tudo. O que fizémos? Re-estruturámos o portfolio, aumentando a rentabilidade e passividade.

Estas são duas questões que podem mudar bastante o rumo do seu investimento. Antes de investir, deve ponderar bem sobre aquilo que pretende, medindo os prós e os contras. E quando lhe digo isto, digo-lhe para ser cauteloso, mas não estou a sugerir que nunca invista. Vai arrepender-se daqui a uns anos…

Apenas perceba que a vida é feita de riscos, e as boas decisões são aquelas que são riscos calculados.

A minha história e o meu caminho

A minha história pessoal com o imobiliário começou em novo, quando eu comecei a investir em fundos imobiliários. Investimentos completamente passivos, porém comecei a achar que não tinha a gestão sobre o meu dinheiro que eu queria.

E foi aí que me virei para imóveis. Primeiro um apartamento, depois um prédio, depois um portfolio.

Em todos os momentos os meus investimentos se trataram de riscos calculados. Comecei com pouco e montei um portfolio grande, com várias fracções distribuidas por várias localidades em Portugal.

Durante este período, enfreitei todo o tipo de problemas. Danos em casas por causas extra pessoais, furtos, negócios fantásticos, etc. Mas sabe quais foram as coisas que me marcaram mais: comissões e preocupações.

Gerir imóveis não é simples, mas pagar comissões “mata” as margens em demasia. O melhor método? Ter um “super”, alguém que lhe resolva os problemas todos e lhe gira os imóveis. Porém, isso compensa a partir de um ponto no portfolio e além disso encontrar a pessoa certa pode ser muito complicado.

Em suma, tem que perceber que ser gastar mais tempo ou gastar mais dinheiro em comissões. Não existe caminho certo para todos, mas existe um caminho mais indicado para si.

6. Optimização do seu investimento

Um investimento imobiliário (especialmente se se tornar grande, num portfolio) é algo que pode ter diversos níveis de optimizações. Ainda nem falei em financiamento nem impostos neste post, e já lhe estou a dizer que há muito por onde optimizar.

Primeiro, existe a construção do portfolio, com base em mercados sólidos e com boas rentabiliades. Este passo por si só já tem imenso potencial de optimização.

Depois existe a questão individuo vs empresa (aqui sim, é importante ler o meu livro), onde se optimiza a carga fiscal.

Depois existe o financiamento, e a questão do tipo de taxa que contratualiza com o banco. Quer taxa variável ou fixa? Quer segurança ou proveitos altos para um aumento do risco, o tal risco calculado que lhe falei?

Como lhe disse, as comissões podem tornar-se pesadas com o tempo. Aqui ter um super seria fantástico, mas não é o mais fácil para todos os investidores.

E investir com base em números sólidos, é essa a política da ArrowPlus: fazer com que todos os investidores (do pequeno ao grande) tenham acesso a consultoria de qualidade e estudos de mercado a um preço acessível.

7. Esteja preparado para presentes envenenados

A maior parte das pessoas passam por um problema ingrato, porque só compram até 1 ou 2 casas na vida. Ora dessa forma não vão tornar-se especializadas no tema. Imagine se tivesse que cozinhar apenas uma vez na vida e não pudesse “falhar” porque comprometeria a sua vida financeira para o futuro? Ou arranjar um carro uma vez. Ou dar uma aula. Qualquer coisa, mas apenas uma vez na vida.

Seria especialista? Claro que não.

Então faz-lhe sentido procurar por um investimento se nunca o fez antes, ou se apenas um fez um par de vezes?

Não seria um problema grande, se isso não comprometesse a sua vida financeira para o futuro… é por isso que eu sempre recomendo clientes a procurar uma empresa como a ArrowPlus – e não tem que ser a ArrowPlus, pode ser outra. Mas não o faça sozinho se não achar que está bem assessorado – os resultados podem ser catastróficos.

Por exemplo, sabe o que é a Euribor? E quando pergunto se sabe é: “sabe mesmo”? A Euribor não é só a componente variável de um crédito com taxa variável…

E uma taxa Swap? E a TAER? E o VPT? E o IMT, sabe como funcionam?

Como em tudo na vida há formas óptimas, boas e desastrosas de fazer as coisas. Assumir que vai optar por uma forma boa ao comprar um imóvel pela primeira vez é um erro. Ou lidar com inquilinos quando nunca lidou, ou até activar um seguro!

Existe uma panóplia de assuntos para os quais poderia estar preparado ou ser assessorado. Caso queira fazer as coisas por si, recomendo-lhe o meu livro:

capa livro do 0 ao milhão investir em imóveis

Comprar Livro

porque terá muito mais conhecimento na área depois de o ler.

Seja prudente – eduque-se. Não acredite que apenas por as taxas de crédito habitação estarem em mínimos esta é a altura perfeita para investir. Sabe porquê? Taxas baixas sobem. E está preparado?

E a questão dos mercados sobrevalorizados? Lisboa e Porto, parecem-lhe atractivos? E se eu lhe disser que esses são actualmente dos piores mercados para investir em Portugal? Falo-lhe de baixas rentabilidades e correcções ao virar da esquina…

arrowplus rentabilidades investimentos imóveis portugal

Mas eu vivo em Lisboa!

Sim, mas isso não faz de Lisboa o melhor mercado. OK, pode conhecer melhor o mercado e as pessoas, mas acha que isso compensa a diferença brutal de rentabilidade que pode haver para outros mercados? Falo-lhe de 3x mais!

E as valorizações recentes?

Bom, essas dizem, na minha opinião, respeito a factores externos como turismo e vistos Gold. Está tudo inflaccionado. Não é sustentável! Não, diz você? Bom, cada macaco com a sua opinião, mas repare nestes dados. Um, desde 2012 Lisboa subiu 61% e o Porto 72%, em certas zonas. Os preços na Avenida da liberdade atingem os 11.000€ por metro quadrado. Chiado? 10.000€. OK, mas é a Avenida da Liberdade e Chiado…

Não! O preço médio em Portugal por metro quadrado são 900€, números redondos. Estima-se que novos apartamentos em Lisboa saiam por 6.000€ por metro quadrado. Ainda lhe parece tudo bem? OK, façamos as contas:

6.000€ por metro quadrado num apartamento de 90m² (médio, portanto), sai a 540.000€. Se poupar 500€/mês (um número altíssimo para a realidade portuguesa) então só precisa de 1080 meses (ou seja 90 anos) para pagar o apartamento. Isto admitindo que não tem juros, se não adicione uns 30 ou 40 anos a esse número.

A esperança média de vida cresce todos os anos, mas não tanto assim ao ponto de poder pagar a sua casa em 120 ou 130 anos…

A resposta? O mercado está sobrevalorizado… é preciso ter muito muito cuidado com o que está a fazer com o seu dinheiro. Por isso, para investir deve sempre ter em atenção o máximo de dados possíveis.

Bons negócios imobiliários,